Sorte de hoje


É incrível como entre aberrações da natureza como "Você vai ganhar roupas novas" ou "Você herdará uma grande quantia de dinheiro", a sorte de hoje do orkut dá umas sacadas legais.
Entre frases fúteis, filosóficas e até mesmo inspiradas em versículos bíblicos, eis que por um acaso, a sorteada da vez para mim foi esta: "devemos ser a mudança que queremos ver".
Há muito venho refletindo sobre o teor dessa frase, visto que desde as fraldas costumo ouvir a máxima "faça o que eu digo, não faça o que eu faço". E aí questiono, se somos nós, capazes de dar o primeiro passo em todas as mudanças necessárias.
Por mim, as pessoas seriam todas otimistas, educadas, alegres e gentis. Ah... como o mundo seria melhor se assim fosse. Mas aí é que mora o problema: Eu não sou assim. E sinceramente, não levo o menor jeito.
De verdade, acredito que não pecamos em desejar qualidades no outro que nós mesmos não temos. A cada dia confirmo, que um dos ingredientes das boas relações está no equilíbrio. Tentar suprir os vácuos emocionais do outro às vezes é essencial.
O perigo, é quando passamos a exigir demasiadamente a perfeição alheia. Querer que o outro mude sempre e em tudo para nos agradar é por demais pretensioso. Além do mais, quando enxergamos defeitos em demasia no outro, talvez sejamos nós, os necessitados de uma repaginada.
Voltando a Sorte de hoje, apesar da grandeza do que me foi sugerido tentarei levar como um desafio durante as próximas horas. Teimarei em fazer a diferença, em sorrir e tentar não repetir as atitudes que me desagradam nos outros. Eu sozinha, não poderei mudar a realidade, mas quem sabe, se todos os dias, alguns resolverem tentar?

Sobre prioridades.



Responda rápido: Entre uma conversa com os amigos e algumas horas de estudo, o que vale mais? Se você não hesitou em aderir à primeira opção, boas (ou más?) notícias: é dos(as) meus(as)! Fernando Pessoa é pura tradução quando diz: "Querendo, quero o infinito. Fazendo, nada é verdade.". É fato: Querer estudar, ser uma boa profissional dotada do tal 'notório saber jurídico' e conquistar a minha independência, eu bem quero. Mas na hora em que sou posta à prova na famosa docotomia 'sentimentos x razão', a responsabilidade e o senso de razoabilidade saem de cena sem pestanejar. Admito enfim, ser eminentemente passional.
Ainda citanto Pessoa, que em tom rebelde profana "Ler é maçada,Estudar é nada", sinto-me profundamente sentida em ter que concordar. Mesmo sabendo que o referido poeta nada mais fazia senão entoar um notável desabafo. Nandinho era "pra frente". Ainda cedo, abondonou os estudos universitários para - por sua conta e risco - aventurar-se em estudos particulares nessas bibliotecas da vida.
Gosto de imaginar que como eu o português não tinha total repulsa pelos livros, mas sim, odiava o ambiente universitariamente hostil em que se achava inserido. A preferência pela liberdade prevaleceu, e após estudos contínuos, o antes garoto, tornara-se renomado poeta.
Deixando a fantasia de lado, vamos à verdade: Para o homem médio da sociedade pensar assim é pura furada. Nós, reles mortais, 'precisamos' de uma certa pressão de vez em quando. Se não fossem as provas (e agora volto ao ponto de partida)eu nada faria além de jogar conversa fora. Um bom papo com amigos, uma nem tão culta novela ou algumas horas de música ou leitura descompromissada de poemas aleatórios,bastam para me fazer desistir de qualquer coisa relacionada ao futuro.
Algumas vezes, sofri por valorizar em demasia o pretérito. Agora, peno ao prever as conequências da vivência tão intensa do presente. Libriana fajuta: talvez o que eu seja. Malgrado a balança simbolizar primorosamente o signo,temo que os pratos da minha vida oscilam desvairadamente, pouco importando-se com a estaticidade do equilíbrio.
Converso quando deveria estar assistindo aula, durmo quando deveria estar acordada, como quando deveria arrumar a casa, e a bagunço quando deveria estar arrumando. O que é bom e agradável, sempre em primeiro lugar: essa é a minha lógica louca, tão incompatível com o que me é exigido implicitamente.
A cada dia percebo o quanto fujo aos padrões. Nunca pensei que não fosse me encaixar nos moldes. Imaginei que fosse automático... como o dente siso que nasce em quase todos, como os cabelos brancos que certamente aparecem no tempo certo, como o fato de a criança ser alfabetizada aos 6 ou 7 anos: como tudo isso, pensei que fosse o dia em que eu entraria na faculdade, e caíria em mim para uma série de obrigatoriedades.
Estou no pior fim de semestre, desde o inicio da faculdade. Trabalhos esperando o término e provas mil. Mas onde estou? Aqui. Escrevendo no meu 'quase secreto' baú de impressões. Talento para artista me falta. A sorte no jogo passa longe dos meus bilhetes. De rosto de boneca e corpo escultural, careço (poderia, na falta de massa encefálica, devidamente compensada por massa muscular tentar a carreira de modelo ou pousadora de fotos eróticas profissional). Mas enfim, o que será de mim, Deus?
Deus me livre da mediocridade, premente visualizada, partindo do meu esforço presente. Que aconteça algo de incomum: Uma mudança brusca de personalidade, a descoberta de um talento ou vocação oculta, ou mesmo uma abdução extraterrestre.
Se nada disso for possível, que em último caso me seja concedida a graça do conformismo. Que eu seja mui feliz sendo só mais uma na multidão.
;)

Dona Edite.


Minha avozinha.  Ela é linda e sorri o riso mais gostoso. Ela é velha, mas não tem preconceitos típicos dos idosos ultrapassados. Ela não sabe ler nem escrever, mas faz contas de cabeça como ninguém. Minha avó é cheirosa. E as roupas dela exalam lavanda e sabonete. Minha avó tem um lencinho branco, bem cheiroso, que sempre guarda consigo. Ela é comilona. E às vezes mente como criança quando faz travessura. Minha vózinha tem medo de escuro. Ela adora farinha e chupar laranja. Como toda avó que se preze, a minha também tem mil plantinhas. Ela tem um chá que serve pra tudo. Minha velhinha adora toalhinhas de centro de mesa: todas feitas de crochê. Tem um pato de louça bem branquinho, e bules. Ela tem cachorrinhos, e já teve porquinhos e galinhas. Minha vó adora dançar. Minha avó é vaidosa. Ela faz a melhor salada de pepino que existe. Ela dorme em uma caminha rosa. Minha avó vai ficar boa.

Ilustração: Lívia Ramos

Aos pais,


Eis que no segundo domingo de agosto se comemora o dia dos pais. Todos sabemos da importância (ou des-importância, às vezes) que esses homens desempenham na nossa criação. Desde a participação na gênese fetal até a construção gradual de quem seremos mais tarde através da coercitividade, da impressão de segurança causam e dos limites aos quis respeitosamente tendemos a respeitar.
Sabe-se,que o Dia dos Pais tem uma origem bem semelhante ao Dia das Mães, e em ambas as datas a idéia inicial foi praticamente a mesma: criar datas para fortalecer os laços familiares e o respeito por aqueles que nos deram a vida. Tendo origem americana, no Brasil, a iniciativa de comemorar a data partiu do publicitário Sylvio Bhering e foi festejada pela primeira vez no dia 14 de Agosto de 1953, dia de São Joaquim, patriarca da família. A data, foi alterada para o 2º domingo de agosto por motivos comerciais, ficando diferente da americana e européia.
O caso, é que as pesquisas comerciais apresentam dados curiosos. O dia do patriarca fica na lanterninha: abaixo do Natal, Dia das Mães, Dia dos Namorados e das Crianças. Além disso, as estatísticas afirmam que o valor gasto com o presente para as mães chega a ser em média R$ 80,00 mais caro em relação ao gasto com o genitor.
Fábio Júnior, em sua bela canção “Pai”, traduziu em poucas palavras alguns dos motivos pelos quais os pais são figuras tão peculiares. Os pais, esses heróis e bandidos, geram em nós muitas vezes um misto de amor e ódio, amizade e incompreensão, brutalidade e ternura. As mães, por sua vez, são as heroínas sempre (ou heroínas com TPM), que apesar do stress que nos causam muitas vezes, não conseguem, por mais que tentem, atingir o patamar de “bandidas”.
Tal fato, entretanto, não seria a meu ver um motivo para recriminarmos os papais de plantão. Diria até, que o velho faroeste doméstico com mocinhos e vilões perderia o charme, se os pais fossem sempre flores de ternura e retidão. De doce, já temos as mães. Cabe aos nossos queridos velhinhos, aquele velho equilíbrio “agridoce”.
O equilíbrio para endurecer sem perder a ternura (não podia faltar essa referência a Che) é tarefa difícil. As mães, na maior parte do caso, conseguem atingi-lo no balançar dessa linha tênue. Os pais, por motivos mil, possuem algumas dificuldades.
Temos nós, os filhos, a importante missão de tentar entender, amar e respeitar os nossos paiszinhos. Esquecendo as diferenças, apagando as ranhuras e sobretudo, amando-os “apesar de”. Tudo isso, soa como clichê, mas creio que o mandamento “honrar pai e mãe” tem o seu valor. A questão é o entendimento. Eu bem gosto de comparar as pessoas, e porque não os pais? à estrelas.O poeta parnasiano Olavo Bilac sabiamente conclui que apesar da distância e altivez que a presença estelar impõe “ é preciso amar para entende-las. Pois só quem ama pode ter ouvido capaz de ouvir e entender as estrelas”.
É isso. Nesse dia dos pais, esqueça as diferenças, esqueça as brigas, ou não esqueça nada, mas ainda assim, dê um abraço forte no seu pai cansado, e diga o quanto ele é importante pra você, assim como eu farei com o meu. A quem têm uma ótima relação com o pai: parabéns! A quem, como eu, não possui sintonia facilmente visível: coragem. Um dia seremos mães, pais, e precisaremos também, de uma segunda chance.
Feliz dia dos pais a todos os pais! (aos biológicos, de criação e de coração)
-> Curiosidade (só pra descontrair):
Vocês sabiam que em algumas tribos indígenas brasileiras, é costume o pai manter resguardo no lugar da mãe que deu à luz. São quase dois meses de descanso, com alimentação leve e abstenção de sexo. Também para ele são destinados os presentes dados pelos membros da família. Costume machista? Nada disso. É que, para essas sociedades, o pai é o responsável pela existência do filho. O bebê só cresce e se fortalece no útero materno por causa das constantes "visitas" do futuro pai à sua mulher. Esse grande esforço de nove meses de relações sexuais constantes exige repouso, para renovar as energias físicas.

amizadismo.


A exaustão não tem vez quando o assunto é amizade. Dou voltas, disfarço e finjo ser durona, mas não tem jeito: - Sou 100% sentimental. Visto que a amizade é espécie do gênero amor, digo sem medo que é algo imprescindível. Fundamental como água para aplacar a sede, sal (mesmo que pouco) para reavivar a comida e o tão importante hábito de usar filtro solar (aproveitando a deixa bialêstica).
Não pretendo dizer novidades, citar filosofismos,escrever rebuscamentos formais ou entoar belas canções que traduzam tão renomado sentimento. Amizade e amor são auto-explicativos.
Se amizade fosse doença, diria sem medo ser das crônicas. Os sintomas às vezes se acham camuflados, mas em qualquer 'mudança de tempo' e estado, se manifestam. Às vezes, a tal enfermidade desencadeia sérias crises de riso. Outrora, faz com que vertam dos nossos olhos lágrimas quase infinitas. O contágio não é fácil. Muitos, possuem alguns dos principais sintomas, que posteriormente acabam apontando para uma virose passageira. Os alarmes falsos, são muito comuns nessa seara. Para contaminar-se basta olho no olho, algumas horas de exposição à conversas intermináveis, algum contato físico (o meio mais comum é o abraço) e às vezes, algumas coincidências genéticas.
Não existem restrições de cor, sexo ou idade. Toda e qualquer pessoa pode ser portadora do referido vírus. Alguns, evitam ao máximo a infecção, usando máscaras,capas e crostas protetoras ( que acabam trazendo como efeito colateral a perda significativa de anticorpos ). Outros, proliferam aleatoriamente a moléstia, sem preocupar-se com as conseqüências. Uma coisa é certa: O semeador do vírus estará ligado para sempre ao infectado. Os estudiosos confirmam que há a possibilidade de incubamento. Este, pode ser voluntário (em casos de incompatibilidade de humor, comportamento ou ciclo menstrual) ou involuntário (na maior parte dos casos causado pela falta de tempo ou distância), mas independente da espécie, cabe novamente ressaltar o caráter incurável do tal vírus. Podemos depreender dessa afirmação, que os fatores tempo, distância ou diferenças não são capazes de acabar a doença verdadeira.
Deixando agora de lado as analogias médicas, teimo em afirmar a imprescindibilidade desse companheirismo. Possuo (licença poética ao que pode soar possessivo) amigos muito diferentes, que na medida da sua diferença me completam, preenchendo boa parte dos vazios existenciais e morais. Defensora ferrenha da tese do “ é impossível ser feliz sozinho”, apesar de ter amigos que amam e odeiam o “rei” (?) Roberto Carlos, nada mais simples e sincero para encerrar, que o seguinte trecho:
“Você que me diz as verdades com frases abertas, amigo você é o mais certo das horas incertas...não preciso nem dizer, tudo isso que eu lhe digo, mas é muito bom saber, que você é meu amigo” (Amigo – Roberto e Erasmo)

Rota de colisão


Dirigir nunca foi difícil. Fora a dificuldade inicial para manter o equilíbrio entre acelerador e embreagem, o resto é coisa pouca. A coordenação entre olhar para frente e mudar marcha, logo logo vai sendo ganha gradualmente. O carro é uma máquina, e como todas, é mero objeto obedecedor dos caprichos humanos. Revisões periódicas, calibragem nos pneus, troca de óleo e uma boa gasolina, garantem, em tese, uma trajetória segura. Entretanto, há um pequeno detalhe, que entre cansativas aulas na auto escola, muitas vezes não é valorizado como merece: a famosa "direção defensiva". Dirigir de forma a evitar acidentes é dever de todos, porém, um minuto de descuido e voilá: colisão na certa. Digo isso, porque ontem entrei para o hall dos motoristas vítimas ou vilões, como queira, que causam ou são vitimados (até hoje não tenho certeza acerca de qual pólo dessa relação ocupei)pela famosa "batida".

colisão
s. f.
1. Acto!Ato de colidir.
2. Embate, choque (entre dois corpos).
3. Conflito, luta (entre coisas opostas).


Tudo aconteceu muito rápido. Fui fechada por um caminhão imenso em Juazeiro. O carro, sofreu um amasso e leves arranhões. Eu e as passageiras, nada tivemos, graças ao nosso bom Deus. Todos tentaram me confortar. As amigas da faculdade enumeravam as suas colisões afim de que eu me sentisse melhor. "- É normal!", diziam. E até um " só não bate quem não dirige" ouvi. Fiquei meio em transe no momento do acontecido, mas posteriormente, quando pude ruminar por horas toda aquela situação, tentei extrair dela, algumas valiosas lições:
1- Os amigos são MUITO importantes nas horas difícies. E quando digo "nas horas difíceis", não me refiro apenas aos acidentes. O caso, é que não sei o que seria de mim sem as amigas co-pilotas, sem alguém pra me ajudar a ligar limpador de para-brisa em meio a chuvas repentinas(sim, eu ainda não sei ligar o limpador do meu próprio carro), ou que me diga "entra aqui", quando não sei o caminho.
2- Mantenha distância: Tenho verdadeiro pavor de "colar" na traseira de outros veiculos. Infelizmente, percebi que é costume entre os motoristas frenar à poucos centímentros de colidir. Eu, prudente como tento ser, sempre tomei o cuidado de manter uma distância aceitável, entretanto, resolvi não ser tão cuidadosa uma única vez e ultrapassar um veículo que estava muito próximo. O resultado? a já citada colisão.
3- Na dúvida, pare!: Nem sempre arriscar é o melhor caminho. E no trânsito, parar quando o outro teima em seguir, às vezes é crucial para a determinação de quem tem ou não a razão.
4- Sinalize SEMPRE: Antes de virar "motorista" não possuía noção da importância de um simples sinal. Acredite, eles realmente podem ser decisivos.
5- Buzine! : Sem dó nem piedade, utilize a parte central do seu voltante. Eu, que acho o som muito desagradável, sempre recorri ao recurso levemente, em situações em que não havia saída. Porém, depois do acontecido, percebi que mais vale um som ensurdecedor, que o barulho de um caminhão enorme se esfregando no meu veículo.
6- E o mais importante,jamais perca a motivação: Dirigir é coisa séria. Uma pessoa, é responsável pela sua integridade e a de mais quatro pessoas, porém, os percalços durante a tragetória não pode nos deixar abater. Quantas pessoas (principalemnte as mulheres) desistiram de dirigir depois da primeira colisão?! Ai de nós, se quando tivessemos começado a arriscar os primeiros passos, tivessemos desistido na primeira queda. Sempre é tempo de ganhar experiência, e sempre é hora de agradecer a Deus por mais uma topada. Pois como diria a sogra de uma amiga: " É melhor uma topada, que largar a cara no chão".
Retomando o início, "dirigir nunca foi difícil" o difícil é dirigir COM outras pessoas, outros temperamentos e outras mentes ponderando o que é e o que não é arriscado. Mas isso não pode nos deixar desistir. Aos poucos, vamos conquistando o nosso espaço, e nos tornando mais seguros.

É isso aí. Tô bem, e como costumo dizer: - ningúem 'morreu', e isso é o que importa!
Beijos, e dirijam com responsabilidade.
;)
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