Homossexualidade



A homossexualidade está bem perto. Aquele cabeleireiro do salão da esquina, aquele famoso executivo, aquele professor animado, bancário, ator, e até aquela cantora que você gosta: todos fazem parte do nosso convívio. Eles já se tornaram comuns. Camuflados ou mais espalhafatosos, os gays conquistaram o seu espaço, embora ainda encontrem resistência pela camada mais conservadora da sociedade.

Estudos apontam prováveis causas genéticas para o fenômeno do interesse sexual direcionado à indivíduos do mesmo gênero. Para esses estudiosos, desde recém nascido, o ser humano pode portar hormônios incompatíveis com o seu sexo aparente, o que ocasionará, mais tarde, comportamentos atípicos - levando em conta o que a sociedade esperaria -. É o caso, por exemplo, do menininho que desde pequeno apresenta certa delicadeza, semelhante a de uma menina, tendo, inclusive, vontades - muitas vezes reprimidas - de brincar com brinquedos femininos. Trata-se de um certo 'determinismo' genético. Algo bem longe de "opção".

Outra corrente, aponta o ambiente social, bem como a figura do genitor dominador do sexo oposto como determinantes no que mais tarde será uma espécie de "escolha". Seria o caso da mãe excessivamente protetora, aliada ao pai rígido. Essa vertente, não entende que a genética, por si só, seja fator preponderante na configuração do sexo do indivíduo.

Eu, sinceramente, odeio usar a expressão "opção sexual". Pra mim, não existe opção alguma. Seria como nós optarmos por ter ou não desejo por alguém do sexo oposto. Sexo é algo natural. A meu ver, um indivíduo que se sente atraído por alguém do mesmo sexo - apesar de saber que a igreja, a sociedade e o escambal condenam essa prática  e que vai sofrer o pão que o diabo amassou por isso - no mínimo, possui uma inclinação incontrolável. Seria um absurdo atribuir os pensamentos homossexuais, muitas vezes nascidos ainda na infância,  à revolta ou promiscuidade.  

Por causa do preconceito velado ou escancarado, conheço - e tenho certeza que você também conhece - muitos gays que não conseguem assumir a própria condição: o que lhes proporciona alegria e prazer. Sofrem, por se saberem excluídos de uma maioria hétero. Muitos se casam com pessoas do sexo oposto e têm até filhos: uma verdadeira guerra contra a própria natureza. O resultado? casamentos e namoros frustrados e traições traumáticas: o parceiro vez ou outra acaba pegando o outro no flagra com alguém do mesmo sexo e tomando um tremendo choque. 

O fato é que apesar de terem alcançado diversos direitos - até então negados juridicamente - os homossexuais ainda estão no início de uma grande jornada. Hoje mesmo, todos os jornais noticiaram a declaração da presidente Dilma. Para quem não sabe, as escolas receberiam kits informativos sobre a homossexualidade, para que os alunos tivessem acesso à informações até então tidas como "tabu". A presidenta, após protestos da bancada evangélica - em detrimento da laicidade estatal, foi profundamente infeliz, simplista e por que não dizer ignorante, ao dizer: " Não podemos interferir na vida privada".  

Até parece a história se repetindo: Os pais horrorizados há alguns anos atrás, por verem o sexo, até então tido como 'intocável' nos diálogos familiares, apresentado a alunos em idade escolar em por-me-nores. Antes tínhamos silêncio sobre algo que deveria estar restrito à quatro paredes ou a conversas com amigos. Hoje temos cartazes com fotos de pênis e vaginas escancarados e a explicação passo-a-passo de como o sexo se realiza. Temos professores colocando camisinhas em pênis de plástico e dando dicas sobre dias férteis, mais ou menos férteis e inférteis. As pessoas fazem mais ou menos sexo pro isso? sinceramente, acho que não. Ganha-se em qualidade e não quantidade. As informações serviram sim, para conscientizar os jovens para os perigos ofertados por sexo irresponsável, bem como para que os mesmos entendessem suas sensações e desejos não como depravamento ou ofensa a qualquer coisa: mas sim, como consequência mais que natural do ser humano. 

Agora é a vez da homossexualidade entrar na pauta. Até quando as escolas poderão ignorar a existência de camada tão significativa da população? Até quando crianças e adolescentes vão continuar achando que ser homossexual é errado, imoral ou nojento? Até quando vão ser levadas a acreditar - muitas vezes pelos pais ou familiares preconceituosos - que ser gay é "safadeza" ? Até quando algo tão natural vai passar batido?

Informar e orientar, não vai transformar héteros em gays e lésbicas, senhores conservadores. Assim como ensinar sobre o sexo, não gera depravamento. Os meninos são obrigados a aprender sobre as mulheres e até ver vídeos de parto em plena 7ª série. Não há nada de anormal em apresentar aos alunos uma possibilidade sexual que todos já 'conhecem'  - a maioria de maneira errada e preconceituosa. 

Antes negros não podiam entrar em certos lugares, mulheres não podiam votar e sexo era um assunto proibido. Os tempos são outros, amigos. A questão agora é dar um 'up' nessa mente que está acomodada confortavelmente nos valores passados. Vamos evoluir e melhorar. 

Fica, pois, o meu protesto FAVORÁVEL à implantação de políticas educativas acerca da homossexualidade! Que o tema, a partir de agora, permeie debates escolares e livros didáticos. Que o assunto seja tratado com respeito,  de forma séria e comprometida com a cientificidade atrelada à sociologia. Que os véus da ignorância sejam retirados de cedo, finalmente. 

OBS.: Esse texto é uma APOLOGIA SIM! à felicidade.


  • Indicações de filmes:

- O segredo de Brokebrack Montain 
- Milk
- Minhas mães e meu pai
- Garotos não choram
- Eu vos declaro marido e Larry

Camuflagem educacional: onde chegaremos?

No caminho com Maiakóvski
Na primeira noite eles se aproximam e roubam uma flor do nosso jardim.
Na segunda noite, Já não se escondem; pisam as flores, matam o nosso cão, e não dizemos nada.

Até que um dia o mais frágil deles entra sozinho em nossa casa, rouba-nos a lua e, conhecendo o nosso medo, arranca-nos a voz da garganta. E porque não dissemos nada, Já não podemos dizer nada.
(Eduardo Alves da Costa)

Primeiro foram as cotas para negros: o furor tomou conta das classes média e alta. Falava-se em dívida cultural, preconceito e pobreza quase que como estigma da cor. Almejava-se uma solução prática e imediata para a inclusão das pessoas de cor em universidades. Esqueceram dos pretos ricos e dos que tinham tido as mesmas oportunidades que os brancos. Mas tudo bem: o prejuízo de alguns era por motivo nobre (e seria só por um tempo, segundo o que diziam).

Criaram ainda as cotas para escola pública: O ensino gratuito era de má qualidade - admitiam - e para que os jovens vitimados pelas péssimas condições de aprendizado não saíssem tão prejudicados, seria criada uma cota para que fosse 'suprimida' a carência de conhecimento desse grupo de estudantes em detrimento dos demais - estudantes de colégios particulares. Seriam 50 metros de vantagem na corrida de 100 metros rasos. De cara, pareceu injusto. Mas quem discordou foi chamado de elitista. Eu entendi o caráter emergencial da medida: por pouco tempo não faz mal, pensava. Tinha a crença ilusória de que enquanto alguns estudantes capazes eram esmagados pelas cotas pelo bem de uma maioria desprivilegiada, o governo "corria" nos projetos de melhoria para educação de base.

Doce engano. Em que pese a existência de mil e uma propostas de melhoria, de diversas ações de icentivo à professores, acesso facilitado à tecnologia e várias reformas nas instituições de ensino, o governo tem falhado, ou pelo menos os avanços não têm ocorrido na velocidade desejada. Mas ninguém quer assumir a culpa e atitudes desesperadas estão sendo tomadas.

"Se não consegue vencer o inimigo, junte-se a ele", tem sido o lema do MEC, a meu ver. O ataque à língua portuguesa foi baixo: colocou o nosso idioma pra dormir. Presumem que estamos em estado de abestalhamento? 

Um livro de português aprovado recentemente pelo MEC, tenta demonstrar ao aluno que não há necessidade de se seguir a norma culta para a regra da concordância. Os autores usam a frase “os livro ilustrado mais interessante estão emprestado” para exemplificar que, na variedade popular, só “o fato de haver a palavra os (plural) já indica que se trata de mais de um livro”. Em um outro exemplo, os autores mostram que não há nenhum problema em se falar “nós pega o peixe” ou “os menino pega o peixe”.

  • Leia o resto:


Poluição visceral

Quando pensamos em poluição as imagens que vêm até a nossa cabeça são sempre as mesmas: fumaça cinza escuro saíndo de chaminés de fábricas, dos carros e ônibus, pilhas de lixo espalhadas pela natureza, manchas pretas de petróleo no mar - com direito a peixes boiando sem vida e pássaros brancos que ficaram pretos, trêmulos e pegajosos após receberem um banho da substância nociva -, barulhos ensurdecedores - a tão comentada poluição sonora -, rios fétidos que mais parecem esgotos percorrendo toda a cidade e por aí vai.

Entretanto, a poluição a que me reporto hoje, não é essa. É algo mais sutil, sorrateiro. Não está estampada nos grandes jornais, nem vira reportagens chocantes na TV. Daria uma bom documentário num desses canais à cabo, mas ninguém fala. A poluição a que me refiro, meus caros, é a do coração.
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