Vinho tinto


Alguém poderia por favor me falar de um programa mais gostoso do que ouvir música, tomando vinho e conversando com amigos? A cada gole, uma risada, uma descoberta. Há sempre o que se descobrir sobre amigos, mesmo que sejam amigos por toda uma vida. E são nessas horas - as do vinho - que muitas coisas vem à tona.

Dizem que cerveja é uma bebida social. Deveras. Não há que se negar que uma cerveja gelada é capaz de unir muitos. Mas o vinho - ah, o vinho - este, não sei se pela sensação quente e aconchegante que  sentimos a cada gole, proporciona uma alegria diferente. Diria até, que vinho tem um "quê" de amor.

Existe até faculdade, para os apreciadores dessa iguaria. Entretanto, receio que os mistérios da tal bebida de uva, somente quem bebe - sem cuspir - pode saber. Sabe aquela conversa de que bebidas alcoolicas atingem o sistema nervoso? Pois bem; tenho quase certeza de que o vinho, atinge também o coração. Os médicos dizem, que um cálice faz bem para o tal músculo no sentido biológico. Esquecem de mencionar, todavia, o reboliço que faz na parte sentimental da coisa. Sei que os bêbados ficam sensíveis, e emocionalmente aflorados. Mas os embebedados com o referido líquido são bêbados mais quentes , lindos e enigmáticos e ponto final.

E viva ao vinho! Suave ou seco, branco, tinto ou rosé,  é inequivocamente essencial.



PS: Apesar do post, sou terminantemente contra as propagandas de bebidas alcoólicas .Elas são alienantes e influenciadoras demais para as mentes jovens.




Pijamas listrados, vazios e poesias.

           Início de férias - se é que podemos chamar 20 dias de férias -, e eis que me deparo com um livrinho chamado " O menino do pijama listrado ". Como estava indo viajar, pensei: porque não? E até que o tal livro foi uma boa distração. Pequeno, letra grande, linguagem fácil, história bonitinha. Uma mistura de "O caçador de pipas" - quem esquece a máxima "por você faria isso mil vezes"?- , e "a vida é bela". O fato é que historinhas sobre amizades infantis são sempre bonitas. 
           Hoje, tentarei começar "A paixão segundo G. H." de Clarice Lispector. Aproveitando o ócio (que 98% dos estudantes de direito no momento estão transformando em proveitosos estudos) para abastecer o meu interior. Não o cérebro. Mas quero findar o vazio que sinto e só Clarice entende. Somos como sacos velhos. Para ficarmos de pé precisamos nos preencher. Para o estômago, comida. Para os pulmões, ar puro. Para a inteligência, livros. Para a alma, Deus e reflexão. Para o coração, amor e livros. Livros, livros e mais livros. Quão místicos e vivos são esses danados?
            Às vezes, tenho uma baita preguiça de ler. E são nessas horas, em que me agarro com unhas e dentes às poesias - curtas e belas - de tantos lindos e inteligentes autores(as) nacionais e internacionais que temos. As poesias são doses fortes e breves de preenchimento, que precisam ser re-aplicadas de tempo em tempo. Nos meus "garimpos", acabo achando muita coisa legal, e em clima de férias deixarei de presente  pouco a pouco algumas das pérolas que encontro.
INSCRIÇÃO

Sou entre flor e nuvem,
estrela e mar.
Por que havemos de ser unicamente humanos,
limitados em chorar?

Não encontro caminhos
fáceis de andar.
Meu rosto vário desorienta as firmes pedras
que não sabem de água e de ar.

E por isso levito.
É bom deixar
um pouco de ternura e encanto indiferente
de herança,em cada lugar.

Rastro de flor e estrela,
nuvem e mar.
Meu destino é mais longe e meu passo mais rápido:
a sombra é que vai devagar. 

[ Cecília Meireles]
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