Buscar em palavras findas, pouco mais que alento.
Desta alegria, tão finita, retirar o sustento pros mais altos obstáculos da vida.
Tristeza, tormento. Tudo se torna pouco, diante de um objetivo.
Lutar contra a preguiça, a luxúria, a maldade.
Travar um duelo entre mim, e eu mesma.

'Escrever é procurar entender,
é procurar reproduzir o irreproduzível,
é sentir até o último fim o sentimento que permaneceria apenas vago e sufocador. Escrever é também abençoar uma vida que não foi abençoada.'

(Clarice Lispector)

Um pouco de infelicidade quando as coisas não dão certo. E a cada dia, tenho a impressão de que elas não foram mesmo, feitas pra mim. Ou será que não foram feitas pra ninguém? O fato, é que dói como as coisas acabam, dói quando os sorrisos, as mil horas ao telefone, as promessas, as juras de eternidade simplesmente esvaiem-se. Como se nunca tivessem existido, como se nunca tivessem sido tão importantes. E ficam as marcas. Marcas profundas e incuráveis. Marcas boas e ruins, que carregamos para o resto da vida. E depois da melancolia, vem a alegria. A felicidade por mais um aprendizado, por mais uma experiência, por uma série de aprendizados que engrandeceram a sua alma. E finalmente, a esperança. A mudança de foco, de planos, de perspectivas. A crença de que na frente, haverão mais pessoas, algumas com caráter permanente, que jamais te abandonarão, os verdadeiros AMIGOS. E outras, que surgem, cumprem a sua missão, e vão embora. Uns classificam como falsos amigos, como ingratos ou aventureiros. Eu, diria que são Anjos. Seres comuns, tocados por Deus, que em um momento especial, souberam ser a pessoa certa, na hora certa. Os anjos te ensinam a caminhar, primeiro te carregando nos braços, depois e mãos dadas, e depois, sozinho. Para estas pessoas, resta a eterna gratidão. E a certeza de que todos estamos aqui por algum motivo, por uma razão definida por Deus. Todos somos Anjos. Cada um, em sua essência transmite algo de fundamental importância a alguém. Sem querer, ensinamos algumas pessoas a amar, outras, a demonstrar esse amor, algumas a serem mais leves, soltas. Outras, a serem mais sinceras, e a outras, a importância de valorizar as pessoas. A algumas, ensinamos a ouvir, e em alguns casos, servimos para que acordem para certos defeitos que ignoravam. De todas as formas ajudamos. Ajudamos com um olhar, com um gesto, conversa ou até mesmo com um silêncio. E é este o nosso papel. É este o sentido da vida: Tentar ao máximo ser feliz fazendo as pessoas felizes.

Bela surpresa


Ele não é nada. Nada do que eu previa que fosse acontecer. Foi um sobressalto, um susto, e de relance, me ví em seus braços. E aí magicamente ele vai se tornando algo. E colocam fermento nos meus sentimentos sem avisar. Sem maiores explicações, tudo cresce, incha, e se transforma. E o que era algo ínfimo, agora é quase tudo. E é engraçado o encanto que tenho por seu sorriso. E me surpreendo, ao ver as estrelinhas coloridas que pairam no ar quando ele despretensiosamente sorri. E os meus olhos brilham quando o vejo. E os meus dentes ficam à mostra como nunca estiveram.

Cada momento, reveste-se da beleza natural da vida. E é como se eu o visse como ninguém o vê. É com se os meus olhos, o enxergassem de maneira superior, e eu pudesse ver as suas virtudes mais secretas. E ele fala. E suas palavras são tão doces que eu poderia come-las. E são tão calmas às vezes. Tão tranquilas, que chego a estranhar e sentir falta do ritmo do resto dos mortais, da voz alta que tenta se sobrepor sempre, da estridência e da tagarelice sem sentido. É como se não precisasse dizer muito. Ele me olha, e isso basta para que eu entenda. E as vezes, quando penso que seus olhos são vazios, uma palavra, um gesto, ou um sorriso me convencem do contrário.

 Ele me toca. E é como se os seus dedos fossem cuidadosamente ensaiados para adaptar-se ao meu corpo. Sinto o toque aveludado das suas mãos, e naquele momento, sou a pessoa mais linda do mundo. Me sinto amada, respeitada e querida. Fico dengosa, os pelos se eriçam. E mentalmente, rogo para que não pare de me tocar jamais. Ele é paciente. Eu me exaspero, me exalto, perco o controle. Ele me olha, e ri  Quando não, inclina levemente a cabeça, e me puxa para perto de sí. E quando nossos corpos estão juntos, é como se a sua paz lentamente me contagiasse. E sinto que nada poderá tirar a minha calma. Ele é manso. E é lindo quando por brincadeira dou-lhe um tapa, e ele, da forma mais meiga implora: - bate nããoo...

Ele é sincero. E muitas vezes surpreendo-me quando o vejo admitir que não gosta de crianças levadas. É doce  a forma como ele me agrada naturalmente, sem fingir, sem mentir, sem aumentar qualidades e esconder defeitos. E os seus beijos. Ah, os beijos. Como são macios, suaves, carinhosos. Como 'encaixam-se' de maneira perfeita. Quando o beijo, sinto os pés saírem do chão, e por um momento, eu estou livre desse mundo mortal. Me elevo, e sou envolvida por boas vibrações, e ondas enormes de felicidade. E ele se satisfaz com a minha presença. E valoriza as pequenas coisas juntos. E é capaz de me ver dormir por uma hora, e imaginar pelos ruídos ou movimentos que faço, se estou feliz, agitada... ou se estou sonhando.

E assim, um reles mortal, transoforma-se no homem mais LINDO do mundo. A pessoa com quem eu sinto incontrolável vontade de permanecer por todo o tempo. A minha metade e porto seguro. Quem me conforta, e me dá ânimo para viver. É tudo uma questão de aprender ver as coisas de uma forma diferente. E a cada dia, me surpreendo, vivendo uma gostosa descoberta, gostando mais daquele com quem de mãos dadas, sinto que posso voar.


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