'Se todo alguém que ama, Ama pra ser correspondido, Se todo alguém que eu amo, É como amar a lua inacessível. É que eu não amo ninguém, Não amo ninguém, Eu não amo ninguém, parece incrível, Não amo ninguém. E é amor que eu respiro'

Poeminha bobo

Sonha, menina. Fecha os olhos, imagina.
Vê corações e ouve sininhos...
Mas olhos apertados, pra não chorar, princesa!
Amor não é flor que dá em laranjeira,
Nem feijão, que brota do algodão.
Amor é peça fina menina, de brilho raro e preço caro.

Olha, Admira a vitrine.
Lamenta pelo urso marrom que não pode comprar.
Dinheiro é problema, quando se tem na bolsa e não pode usar.
Essa loja não tem vendedor, não aceita cartão.
E nem adianta pedir pra mamãe te dar.
Porque esse urso menina,
Só ele, no mundo inteiro, você não pode comprar.

Senta no jardim. ouve o som dos que passam,
Espera o pôr do sol, no frio chão de mármore
Mas não te esqueces das rosas.
Vê a areia, revolta pelo vento que passa.
Só o vento agora passa.
Não te sentes sozinha, menina?

Dorme.
Esquece as fotos antigas e o urso da vitrine.
Brinca de ser criança, de ser segura, de ser feliz.
Brinca de fingir que uma noite de sono é solução.
Mas não te esqueces de nada menina.
Um dia, teu dia chega.

Ilustração: Paulo Torinno

Metade
© Oswaldo Montenegro

Que as palavras que eu falo
não sejam ouvidas como prece e nem repetidas com fervor, apenas respeitadas, como a única coisa que resta a um homem inundado de sentimentos. Porque metade de mim é o que ouço, mas a outra metade é o que calo. Que essa minha vontade de ir embora se transforme na calma e na paz que eu mereço. E que essa tensão que me corrói por dentro seja um dia recompensada. Porque metade de mim é o que eu penso, mas a outra metade é um vulcão. Que o medo da solidão se afaste e que o convívio comigo mesmo se torne ao menos suportável. Que o espelho reflita em meu rosto, um doce sorriso, que me lembro ter dado na infância. Porque metade de mim é a lembrança do que fui, a outra metade eu não sei. Que não seja preciso mais do que uma simples alegria para me fazer aquietar o espírito. E que o teu silêncio me fale cada vez mais. Porque metade de mim é abrigo, mas a outra metade é cansaço. Que a arte nos aponte uma resposta, mesmo que ela não saiba. E que ninguém a tente complicar porque é preciso simplicidade para fazê-la florescer. Porque metade de mim é platéia e a outra metade é canção. E que a minha loucura seja perdoada. Porque metade de mim é amor, e a outra metade... também.


Quem canta, seus males espanta.


Para Dani.

Cantar é deixar o corpo fluir, é vibrar as cordas vocais harmonicamente a fim de emitir um som agradável ( claro que nem sempre tal dom é possível, rs ). O fato é que misteriosamente, a música tem o dom de traduzir as emoções, liberar os mais escondidos sentimentos e fazer com que a alegria, o amor, a tristeza, a dor de cotovelo ou até a nossa paz, venha à tona. Além disso, o som possui propriedades sobrenaturais, físicas, ou sei lá o que. Quem nunca foi tele transportado, durante uma música? E quando se deu conta, estava no passado, futuro ou em um presente inventado. Há quem diga, que as algumas canções são imortais. Não falo das canções chiclete (aquelas que grudam e você não consegue parar de canta-las por um bom tempo), mas aquelas que por mais que o tempo passe, a letra permanece intacta, fossilizada pelo significado atribuído em uma dada época. Me refiro às que você fica sem ouvir por 20 anos e um dia recorda, perguntando-se como tinha esquecido o quão bem tais notas te faziam. O tempo passa e o gosto musical muda, dá reviravoltas e piruetas no decorrer dos anos. Mas a imortalidade se comprova, quando ainda lembramos. Mais uma evidência, de que a imortalidade se deve ao valor dado na época, e não à qualidade da música em si. É simples, música fez, faz e sempre fará bem. Cantar, dançar ou simplesmente ouvir uma melodia é como transpirar, é expulsar as impurezas ou alegrias em excesso... é dar lugar à novas emoções, colocando para fora as velhas. Se dá como em um ciclo onde fluem turbilhões de sentimentos, que desaguam em forma do suor de quando se dança ou das mais sinceras lágrimas. Músicas são terapêuticas. Platão afirmava que eram o "remédio da alma" e assinalava os seus efeitos sobre os seres humanos. Segundo o filósofo, a alma poderia ser condicionada pela música, assim como o corpo pela ginástica. É. as músicas são farmacêuticas na medida em que atuam como remédio totalmente eficaz contra qualquer patologia sentimental. Substituem a dipirona sódica para as dores de cabeça, ou uma boa dose de lexotan para dormir. Substituem qualquer droga... cuidado! música pode causar euforia. É bom em qualquer lugar. Em shows, em frente ao computador ou no chuveiro. Cantar é bom pra relaxar, distrair. Cantar é lembrar e esquecer. Música, faz com que o tempo passe mais rápido... e daí o seu excelente desempenho durante longos engarrafamentos. Cantarolar sozinha, ou com 2, 3 ou 10.000 pessoas. Perceber a união, existente entre acordes, notas, vozes e pessoas... que por um segundo compartilham algo sinceramente, sem interesses ou pretensões... existe algo mais mágico que isso? Música une. Une o tempo, as gerações, as mãos e corpos. Música une nações. Por isso, quando estiver sem fazer nada, experimente, ouse, ou simplesmente cante! Soltar a voz e os 'bichos' faz bem...


"Cantando a gente inventa. Inventa um romance, uma saudade, uma mentira...

Cantando a gente faz história. Foi gritando que eu aprendi a cantar: sem nenhum

pudor, sem pecado. Canto pra espantar os demônios, pra juntar os amigos. Prá

sentir o mundo, pra seduzir a vida."

(Cazuza)

Sorver um cálice de vinho.



- Não bebe minha filha, isso te faz mal.

- Oxe, vinho é bom pro coração!

- Mas você perde a noção do perigo, falta abrigo, carece de proteção.

- E o que você me diz? O que me dá como solução?

- Bom pro coração, é amor menina. E isso, dinheiro não compra.
Sugestões para Presente
© Rita Apoena

Amor. Bolinhas de sabão. O som de copos com água. O som das gotas no chão. Um sorriso tímido. A música por trás dos ruídos. Um coração encostado no outro. Um ou dois para sempres. Um avião nas mãos de um menino. Um barquinho de papel. Uma pipa atravessando as nuvens. Uma sementeira de tulipas. Um mingauzinho de aveia. Um par de meias listradas. Dois ou três cata-ventos. Uma palavra inventada.



Do prazer de comprar livros


Fascínio intrigante, que me faz compra-los. Se não pra ler, pra ver. Sentir, tocar. Perceber na textura da página, o encanto das palavras. Imaginar em cada letra, a magia que se esconde. Cheirar. Aroma tão doce que me penetra. O cheiro que da prazer, e por um súbito momento, esperança. Desejo de que o livro crie asas, concedendo-me a permissão para visitar os seus mistérios. E ainda há quem não entenda, o inebriante ato de sentir um livro. Tocar e possuir esse ser místico, simples e fantástico.


Limpa - dor

- Arruma a casa, faz faxina menina! Enche essa casa de perfume.

- Será que perfume espanta tristeza?

- A água cheirosa lava tudo, filha. Menos a cabeça de quem pensa.

Aviso da lua que menstrua

© Elisa Lucinda


Moço, cuidado com ela!

Há que se ter cautela com esta gente que menstrua...

Imagine uma cachoeira às avessas:

cada ato que faz, o corpo confessa.

Cuidado, moço

às vezes parece erva, parece hera

cuidado com essa gente que gera

essa gente que se metamorfoseia

metade legível, metade sereia.

Barriga cresce, explode humanidades

e ainda volta pro lugar que é o mesmo lugar

mas é outro lugar, aí é que está:

cada palavra dita, antes de dizer, homem, reflita..

Sua boca maldita não sabe que cada palavra é ingrediente

que vai cair no mesmo planeta panela.

Cuidado com cada letra que manda pra ela!

Tá acostumada a viver por dentro,

transforma fato em elemento

a tudo refoga, ferve, frita

ainda sangra tudo no próximo mês.

Cuidado moço, quando cê pensa que escapou

é que chegou a sua vez!

Porque sou muito sua amiga

é que tô falando na "vera"

conheço cada uma, além de ser uma delas.

Você que saiu da fresta dela

delicada força quando voltar a ela.

Não vá sem ser convidado

ou sem os devidos cortejos..

Às vezes pela ponte de um beijo

já se alcança a "cidade secreta"

a Atlântida perdida.

Outras vezes várias metidas e mais se afasta dela.

Cuidado, moço, por você ter uma cobra entre as pernas

cai na condição de ser displicente

diante da própria serpente

Ela é uma cobra de avental

Não despreze a meditação doméstica

É da poeira do cotidiano

que a mulher extrai filosofando

cozinhando, costurando e você chega com a mão no bolso

julgando a arte do almoço: Eca!...

Você que não sabe onde está sua cueca?

Ah, meu cão desejado

tão preocupado em rosnar, ladrar e latir

então esquece de morder devagar

esquece de saber curtir, dividir.

E aí quando quer agredir

chama de vaca e galinha.

São duas dignas vizinhas do mundo daqui!

O que você tem pra falar de vaca?

O que você tem eu vou dizer e não se queixe:

VACA é sua mãe. De leite.

Vaca e galinha...

ora, não ofende. Enaltece, elogia:

comparando rainha com rainha

óvulo, ovo e leite

pensando que está agredindo

que tá falando palavrão imundo.

Tá, não, homem.

Tá citando o princípio do mundo!


Bênçãos em gotas
© Letícia Thompson

Eu gostaria de saber onde está a origem da nossa insatisfação. Buscamos grandes coisas, esperamos grandes coisas, aquelas que possam fazer com que nosso dia fuja do extraordinário.
Viver nunca nos parece suficiente, esperamos sempre mais e quanto mais temos, mais desejamos. Olhamos as pessoas à nossa volta, cremos que são felizes, achamos que a vida parece bem mais simples pra elas, que o melhor sempre vem para os outros.
Não nos basta ter uma terra prometida, queremos que seja a mais vistosa de todas. Mas nenhum castelo será bonito o suficiente para nos satisfazer, se não aprendermos a nos bastar com pouco que recebemos da vida.
Ansiamos por grandes chuvas e nos esquecemos de nos contentar com o sereno da madrugada, suave e refrescante.
Há bênçãos que tardam a vir e não compreendemos o porquê. Enquanto isso, ao invés de aproveitar as gotículas que recebemos a cada dia, nos perdemos em murmurações.
É muito mais fácil reclamar do que não temos do que reconhecer que o que possuímos são tesouros em pequenas e diversas pedras que se incrustam no nosso dia-a-dia: a saúde, os filhos, os amigos, um abrigo, o fato de termos o que comer, vestir e ainda, como coroa, esse imenso quadro da natureza que o Senhor pintou e deu vida para nosso deleite.
Viver do contentamento de ser o que somos, de ter o que temos é agradar ao coração de Jesus, que nada possuía quando veio, mas nem por isso era menos rei.
Somos o que somos e o Senhor nos dá o bastante para nossa felicidade. Ansiar por mais é fechar as portas aos pedacinhos de bem-viver com os quais o Ele nos presenteia.

Crônica para solteiros.


Tudo flui e nada fica como é. (Heráclito)

Sábias palavras  as deste filósofo, que em tempos remotos soube retratar a sutil engrenagem que move as relações não-familiares. Aquelas em que existe parentesco biológico,ou atribuído (amigos) tendem a durar mais. As relações que contemplam o viés amoroso, por sua vez, lutam, persistem, desgastam-se e acabam (salvo os casos raros e magníficos de amor eterno).

O "eu te amo" vê-se cada dia mais banalizado. É pronunciado, citado, proferido e espalhado ao vento, como se existisse apenas enquanto palavras ocas, secas de significado. Por mais que nos esquivemos, brademos, reclamemos contra o tal problema, infelizmente, nada podemos fazer contra a tendência social. Namorados dizem que se amam. Logo, digamos, gritemos e louvemos ao amor, indiscriminadamente, a qualquer um ao qual chamemos 'namorado(a)'. Que estejamos preparados, advirto,  para mais tarde assistir-mos os tão queridos sinais de afeto afetados pela indiferença. Que estejamos conscientes do "bom dia" posterior à todo o encanto.

Que sejamos fortes e resistentes, para levantar-nos sacudindo a poeira quando o tão venerado amor nos der uma rasteira fantástica. O belo campo gramado, paisagem dos românticos encontros, vira arenoso em um piscar de olhos. Ao invés de flores, faz suspender a névoa de areia, que golpeia os nossos olhos, num ato impiedoso. As lágrimas caem e aos poucos retiram dos olhos cansados e avermelhados os insistentes grãos que teimam em nos incomodar.

Depois, novos campos verdes e brilhantes iluminados de vida surgem, diante dos nossos olhos. Não são iguais aos anteriores. Este, é farto de crisântemos ao invés de margaridas... é povoado de rosas e não de cravos. Parece até ser mais bonito, mais legal.  E se não for nada disso, pelo menos é diferente. PORQUE, o amor é como a água, que flui despreocupada. As vezes calma, as vezes turbulenta, as vezes mudando totalmente de rumo, ou sendo obrigada a desviar em prol do seu fluxo harmônico, que não acaba, mas sim, nasce novamente, e de novo e de novo... ETERNAMENTE.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...